Em evento lotado, desembargadora manda prender vice-prefeito de Palmeira dos Índios


Por Berg Morais

A presidente em exercício do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargadora Elizabeth Carvalho, deu voz de prisão ao vice-prefeito de Palmeira dos Índios, Márcio Henrique, em evento ocorrido na manhã da última quarta-feira (23), no município. Eles são parentes e, com dedos em riste, trocaram farpas diante de mil e quinhentas pessoas.

A entrega do registro de imóveis para 1.300 beneficiados do Programa Moradia Legal tinha tudo para ser um evento dentro da normalidade, não fosse o alvoroço provocado pela desembargadora, que deu voz de prisão ao seu próprio sobrinho.

Um advogado, que prefere não ter o nome revelado, presenciou o ocorrido e descreveu o fato como “baixaria”. “Ela quem iniciou a discussão atacando e ofendendo com palavras horríveis o Dr Márcio que, no seu direito, retrucou. Ela não respeitou, muito menos deu dignidade ao cargo que ocupa enquanto representante do Poder Judiciário”, explicou.

A testemunha disse ainda que o momento mais marcante foi quando o vice-prefeito foi retirado do local. “Foi claro quando foi mandado tirarem ele de lá. Foi uma desmoralização! Dois seguranças pegaram nos braços dele e o conduziram para fora do evento. Na frente de todo mundo”, revelou.

Um vídeo mostra o momento final da discussão, onde Dr Márcio é levado pelos seguranças da desembargadora. Clique aqui. https://www.youtube.com/watch?v=EkTqQTfPm6c

Um parente de Dr Márcio, que o acompanhou na saída do Ginásio Poliesportivo, disse que “ele só não foi preso porque o governador em exercício [Otavio Praxedes] tomou conhecimento que Elizabeth e Máricio eram parentes. Aí ele determinou o cancelamento da prisão e enviou desculpas através de sua assessoria”, constatou a testemunha.

Ainda de acordo com testemunhas, a desembargadora perdeu a compostura expondo o vice-prefeito a uma situação desconfortável e vexatória diante de boa parte da população palmeirense e de convidados. Vereadores, secretários e lideranças do município, que estavam nas primeiras filas do evento, também presenciaram o ato “truculento” protagonizado.

Discurso cansativo

O que era para ser um dia comemorativo, acabou se tornando num momento de estresse para os presentes. Acontece que a desembargadora Elizabeth Carvalho usou seu discurso para proferir indiretas, num contexto que não condizia com a realidade do momento, que era o Programa Moradia Legal.

A desembargadora acabou misturando os assuntos, num discurso que não seguia uma sequência de pensamento lógico. Elizabeth Carvalho chegou a reconhecer que seu discurso estava cansativo ao falar: “Quando vou lembrando, vou falando”.

Ela chamou a vereadora Ana Adelaide de “Ana Márcia”, disse que uma senhora conhecida como Maria Topada “morreu e levou segredos de muita gente de Palmeira”.

Por fim, a desembargadora revelou seu lado artístico cantando um trecho da música Carta de Amor, de Maria Bethânia: “não mexa comigo que eu não ando só. Eu não ando só”.

O blog entrou em contato com Elizabeth Carvalho e com Márcio Henrique, mas eles não atenderam nem retornaram às ligações.

berg_morais@hotmail.com